Especial Gripe A: Férias bem protegidas, riscos de contagio nos locais mais populares
Publicado por admin na categoria Gripe A (H1N1) em 20-07-2009
Epidemia de gripe no Verão? Fora de época, fora do vulgar e fora de controlo, o vírus H1Nl ou GRIPE A ameaça estragar as férias a muitos portugueses. Mas os especialistas garantem que não é caso para isso. Queremos ajudar na prevenção desta vertente da gripe, por isso dedicamos esta esta semana a este assunto, divulgando toda a informação necessária, concelhos práticos e preventivos para que aproveite as suas férias sem ter que ficar de quarentena em casa ou no hotel.
O medo nunca é bom conselheiro. E será ainda menos uma sombra desejável, nas férias de Verão. Em caso de dúvida - e temos tantas, nestes dias em que a gripe A voltou a abrir noticiários, o melhor remédio é ouvir os especialistas. A directora-geral da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, foi bem clara, esta semana: «Não faz sentido limitar as viagens em resposta ao surgimento do vírus H1N 1.» No México, onde a nova epidemia ganhou vida há quatro meses, a cientista mostrou-se até irritada com os responsáveis políticos que decidiram fechar fronteiras e aeroportos a determinados turistas. Essas medidas, disse, «não têm nenhum propósito, porque não protegem as pessoas e não detêm o surto».
Também Pedro Ribeiro da Silva, médico da Direcção-Geral de Saúde, reforça a ideia de que os portugueses devem manter os seus planos de férias, sem receios da gripe A. Constantino Sakellarides, director da Escola Nacional de Saúde Pública, lembra, contudo, que «a situação vai piorar, primeiro, no hemisfério sul», aconselhando, por isso, que, até Setembro, se escolham destinos de férias na outra metade do globo. «É preferível um país quentinho com escolas fechadas do que um sítio frio.»
A gripe A está entre nós, em todo o mundo. Margaret Chan comparou mesmo a pandemia a um tsunami - que se agiganta, atinge um pico máximo e depois desaba com violência, causando estragos que afectarão, durante muitos meses, o mundo inteiro. Estamos ainda longe de levar com a onda. Esse impacto deverá sentir-se a partir do Outono, quando o frio apertar. Até lá, o melhor é aproveitar as outras ondas - as do mar. Até porque o vírus, ao contrário de nós, nem sequer gosta muito do calor.
RISCOS DE CONTÁGIO NOS LOCAIS MAIS POPULARES
Locais mais populares das férias de Verão também podem ser seguros se souber os riscos de infecção que existem em cada um. Apesar dos riscos, os especialistas aconselham que ninguém cancele as férias que tinha programado. O importante é manter comportamentos adequados.
Praia
Por mais cheio que esteja o areal, será difícil que alguém contagie outra pessoa, porque não há interacção próxima com desconhecidos. Ainda por cima, trata-se um espaço aberto.
Parques aquáticos
Como há filas de espera e as pessoas estão muito próximas umas das outras, pode haver possibilidade de contacto directo. As superfícies dos escorregas também podem ser focos de infecção, se bem que de risco reduzido.
Bares e discotecas
Cheios e fechados, com pobre circulação de ar, são locais que propiciam a transmissão. Nestes ambientes, também é fácil apanhar-se outras doenças, como a tuberculose.
Cinema
O mesmo que num avião ou noutro meio de transporte - só haverá perigo se as pessoas do lado estiverem infectadas. Pelo sim pelo não, se o cinema não estiver esgotado, procure cadeiras mais isoladas.
Parques de campismo
Ao ar livre, não representam perigo. Nos balneários, contudo, poderá precaver-se, evitando o contacto com as maçanetas e as torneiras, e redobrando o número de lavagens das mãos.
Piscinas
Se for mergulhar numa piscina coberta em Buenos Aires e estiver aos beijinhos a um ou uma local. .. é provável que apanhe gripe A. Caso contrário, não há qualquer problema em frequentar estes espaços.
Festivais de Verão
Os organizadores dos principiais festivais de musica não accionaram planos de contingência para as edições deste verão. Mantêm as equipas médicas do costume, este ano com mais uma responsabilidade - a de detectar algum sintoma gripe A. Evite os ajuntamentos e mantenha-se a uma certa distância das pessoas que não conhece. De resto, desfrute da música.
Centros comerciais
São sítios normalmente espaçosos e bem arejados. Por isso, nem se aconselha o distanciamento social. Mas, se puder, prefira espaços ao ar livre.
Hotéis
Não serão locais de risco, porque está assegurada a distância entre os hóspedes. No entanto, a Associação de Hotelaria de Portugal enviou aos seus associados um dossiê especial sobre a gripe, com recomendações para lidar com a doença: «Aconselhar os clientes a permanecerem no quarto até receberem tratamento médico ( … ); activar protocolos de descontaminação dos quartos dos doentes ( … ); manter uma boa e frequente ventilação ( … ).»
Perigo nos transportes
O segredo da protecção está na distância que conseguir manter dos outros passageiros. E se puder ir de janela aberta, ainda melhor.
Avião
A qualidade do ar é boa, graças à utilização de filtros semelhantes aos usados nos quartos de isolamento hospitalar. A circulação faz-se por filas e o ar fica confinado a uma zona. O perigo de transmissão é relativamente pequeno. Tenha atenção aos aglomerados nas saídas e entradas, mantendo alguma distância dos outros passageiros. Quando a gripe A é diagnosticada num passageiro, as autoridades de Saúde contactam as pessoas que tenham viajado nas duas filas à sua volta.
Barco
No início da pandemia, passageiros de navios de cruzeiro viveram o pesadelo de ficar de quarentena no mar. Mas não existem razões para temer mais os barcos do que os aviões - desde que mantenha as devidas distâncias dos outros turistas.
Autocarro
O perigo de contágio nos transportes não depende tanto do meio, mas das condições em que se viaja. Num autocarro apinhado de gente, fechado durante muitas horas, com pessoas infectadas lá dentro, o perigo de exposição aumenta. Se a viagem for curta, o ar circular de forma correcta e houver várias paragens, o risco diminui.
Comboio
O espaçamento entre os lugares é, à partida, maior do que noutros meios de transporte, o que representa uma vantagem. Mas deve-se também minimizar a interacção social. Os comboios com ar condicionado são agora menos recomendáveis do que os modelos mais antigos, em que se pode abrir as janelas.
FORMAS DE CONTÁGIO
Os cumprimentos sociais poderão alterar-se radicalmente, nos próximos meses, por culpa da gripe A. No Líbano, os beijinhos de saudação (que lá são três) já foram mesmo proibidos. As recomendações médicas são claras: o ideal é manter, pelo menos, um metro de distância das outras pessoas. Além do contacto corporal, o vírus pode ser contraído através das gotículas que se espalham quando se tosse ou espirra. Também se dissemina em superfícies como maçanetas, teclados, livros ou papéis - e muita atenção ao dinheiro, que troca tantas vezes de mãos. O vírus pode sobreviver aí durante duas a oito horas. Se não quiser usar luvas descartáveis, o melhor é lavar as mãos várias vezes ao dia. O sabão ou o álcool são suficientes para uma boa desinfecção. Em caso de contaminação, o risco de contágio existe desde as 24 horas anteriores ao surgimento dos sintomas, e persiste durante os sete dias seguintes.
VÍRUS À LUPA
Não há imunidade para a gripe A, porque a estirpe do vírus é nova. É a primeira vez, desde1968, que surge uma mutação tão agressiva. Os primeiros casos foram detectados no México, em Março último, com a transmissão do vírus de porcos para humanos, sendo, por isso, designada, na primeira fase, «gripe suína». Mas como tem características dos vírus que infectam os suínos, as aves e os humanos, e porque feria susceptibilidades religiosas, foi renomeada como gripe A (H1Nl). Quatro meses depois, já está classificada pela Organização Mundial de Saúde como «pandemia», afectando todos os continentes. Estima-se um risco de mortalidade três vezes superior ao verificado anualmente. A gripe «normal» mata 250 mil a 500 mil pessoas por ano, em todo o mundo.
O HINl prefere os ambientes frios e húmidos, sendo, por isso, agora, particularmente perigoso nos países do Hemisfério Sul, onde é Inverno. O vírus é sensível a antivirais como o Tamiflu ou o Relenza, mas já existem casos registados de resistência a estes medicamentos.
Publicado por Visão
Fontes: Pedro da Mata. alergologista do Instituto Clínico de Alergologia e criador do Infantasma (programa de controlo das doenças alérgicas nas escolas); Jean-louis Mege, infecciologista do Hospital La Timone, em Marselha. referência europeia na área da infecciologia; Gregory Hartl, responsável pela comunicação da gripe da Organização Mundial de Saúde: Vítor Faustino, coordenador do Gripe Net Pedro Ribeiro da Silva, médico da Direcção-Gera! de Saúde: Constantino Sakel1arides. directar da Escola Nacional de Saúde Pública: Cristina Sales. clínica geral

