Medicamentos e Suplementos Naturais – Relações Perigosas

Publicado por admin na categoria Alimentação, Anti-envelhecimento, Colesterol, Diabetes, Guia Medicinal em 07-10-2009

Na saúde, nem sempre se pode atalhar caminho. Isto significa que não é por combinar dois tratamentos eficazes que se vai curar mais depressa. Na verdade, tratando-se de medicamentos e suplementos naturais, é preciso ter atenção às interacções entre ambos, que podem complicar o tratamento, mais do que acelerar a cura.

Muitos portugueses,tomam regularmente vitaminas, minerais, produtos à base de plantas ou remédios homeopáticos. A publicidade dos meios de informação relata qualidades e benefícios dos produtos naturais, mas raramente indica as possíveis interacções entre os medicamentos prescritos pelos médicos e os produtos de saúde natural adquiridos livremente nas lojas.

O efeito terapêutico das plantas não é fruto do acaso; deve-se aos constituintes bioquímicos que actuam sobre o organismo. As plantas e os produtos naturais não são isentos de risco, podendo provocar alterações no organismo e exercer uma acção sobre os tratamentos com medicamentos. Alguns alimentos podem mesmo provocar reacções quando são consumidos simultaneamente com medicamentos.

A ciência médica cura cada vez mais doenças e no entanto, nunca houve tantos doentes! O planeta tornou-se um gigantesco hospital, enquanto o público procura uma medicação mais ecológica, utilizando ao mesmo tempo medicamentos farmacêuticos e naturais. É preciso aconselhar os consumidores a fim de evitar qualquer risco, mesmo que seja mínimo. Um terapeuta, independentemente da sua especialidade, deve ser um educador e um conselheiro de saúde para os seus pacientes.

Sumo de toranja

O sumo de toranja é utilizado em dietas de emagrecimento. Muito rico em vitaminas, é recomendado em caso de insuficiência biliar, fragilidade capilar, fadiga, dispepsia (dor ou desconforto na região abdominal), intoxicação (devido às suas propriedades depurativas), estimulante hepatobiliar, aperitivo, tónico, digestivo e refrescante.

sumo de toranja

ATENÇÃO

• Pode modificar o efeito de vários medicamentos, em particular a ciclosporina, um medicamento da classe dos imunodepressores utilizado para impedir a rejeição de um órgão transplantado (rim, coração, pulmão, etc.).

• Possíveis interacções com os medicamentos utilizados para baixar a tensão arterial, para baixar o colesterol, medicamentos contra a angina de peito e perturbações do ritmo cardíaco.

• Pode provocar sedação excessiva ou confusão, em caso de uso de tranquilizantes.

Sulfato de glucosamina

A glucosamina é tradicionalmente utilizada para acalmar as dores articulares devidas a artrose ligeira ou moderada.

ATENÇÃO

• Sabe-se actualmente que a glucosamina pode provocar uma flutuação da taxa de açúcar sanguíneo nos diabéticos (reduz o efeito hipoglicemiante da insulina e dos hipoglicemiantes orais e provoca uma diminuição da tolerância à glucose).

• A glucosamina pode modificar o efeito dos diuréticos.

• Atenção em caso de alergias ao marisco.

Ginkgo biloba

A Cinkgo é utilizada para um grande número de perturbações modernas, como a doença de Alzheimer, demência, diminuição da memória e da concentração, vertigens ou tonturas e para tratar problemas circulatórios nas pernas.

ATENÇÃO

• Pode ter interacções importantes com os anticoagulantes (varfarina) e a aspirina, podendo aumentar os riscos de sangramento.

• Pode interagir com os anti depressivos IMAO (Inibidores da MonoAminaOxidase), utilizados no tratamento da depressão grave (acção de uma enzima cerebral que dissocia as substâncias químicas).

• Não deve ser utilizada ao mesmo tempo que a papaverina, um medicamento que provoca a dilatação dos vasos sanguíneos e melhora a irrigação dos tecidos. Quando utilizado em caso de disfunção eréctil, pode potenciar o seu efeito.

• Tomada ao mesmo tempo que alguns sedativos, pode causar o estado de coma.

• Pode provocar desconforto gástrico e dores de cabeça quando é consumida simultaneamente com vasodilatadores.

Alho

O alho é utilizado sobretudo para baixar a tensão arterial e a taxa de colesterol, assim como para tratar algumas doenças cardiovasculares.

ATENÇÃO

• Pode causar interacção com a aspirina e com os anticoagulantes utilizados para prevenir e tratar coágulos sanguíneos e doenças cardíacas que podem causar enfarte do miocárdio ou acidentes cardiovasculares. Os anticoagulantes (varfarina e cumadina) impedem a acção da vitamina K que contribui para a coagulação do sangue. Deve evitar-se consumir simultaneamente alimentos e suplementos alimentares susceptíveis de potenciar o efeito dos anticoagulantes, podendo desencadear uma tendência para hemorragias, pelo que se deve suspender o consumo de alho antes de uma cirurgia. Não consumir alho quando se toma aspirina (ácido acetilsalicílico) como um fluidificante sanguíneo. O alho pode potenciar o efeito dos anticoagulantes e dos antiplaquetários.

Hipericão

O hipericão provou a sua eficácia no tratamento da depressão ligeira ou moderada, no entanto tem pouco efeito em caso de depressão grave. Esta planta utiliza-se também para tratar as variações de humor durante o período pré-menstrual.

ATENÇÃO

• O hipericão pode alterar o efeito de numerosos medicamentos ou alimentos. Evitar consumir

ao mesmo tempo que cerveja, chocolate, vinho tinto, charcutaria e queijo Camembert, uma vez que a tiramina presente nestes alimentos é nociva quando combinada com o hipericão.

• Quando combinado com anti depressivos IMAO, pode perturbar a pressão arterial (o hipericão apresenta uma acção inibidora dos IMAO)

• A utilização concomitante do hipericão com medicamentos anti-rejeição pode causar a diminuição da sua concentração plasmática e provocar a rejeição de um órgão transplantado.

• O hipericão pode potenciar os efeitos dos medicamentos anti coagulantes (varfarina)

• Não tomar nos cinco dias que antecedem uma intervenção cirúrgica.

• Não utilizar ao mesmo tempo que os medicamentos anti-asma, porque pode agravar as crises de pânico, ao anular o efeito medicamentoso.

• O hipericão é contra-indicado durante a utilização de contraceptivos orais devido ao risco de diminuição do efeito dos contraceptivos, sangramentos irregulares e até possibilidade de gravidez (indução enzimática).

• O hipericão pode afectar a mobilidade dos espermatozóides (evitar nos homens com fertilidade reduzida).

• Evitar a exposição prolongada ao sol durante a utilização de hipericão.

Fonte: RODET, Jean-Claude. Medicamentos & suplementos naturais, relações perigosas. Performance, Fevereiro 2007, p.56

Beber ou não beber leite?

Publicado por admin na categoria Alergia, Alimentação, Anti-envelhecimento, Ateroesclerose, Diabetes, Guia Medicinal em 03-09-2009

Pedro Bastos, mestrando em nutrição e dietética, faz parte da “bancada” do não. Contrapõe os especialistas que atribuem ao leite o título de super-alimento e os estudos que lhe garantem benefícios na osteoporose, no cancro, na saúde cardiovascular e diabetes. Ponto por ponto, explicou por que não nos faz falta o leite numa das palestras mais polémicas do III Congresso Internacional de Nutrição Clínica Funcional, Brasil.

BEBER LEITE É UM HÁBITO MODERNO

Após a amamentação, nenhum mamífero consome leite (e muito menos de outra espécie). Este padrão também foi seguido, durante 2,5 milhões de anos, pelos vários hominídeos (incluindo o homo sapiens) que habitaram a terra. Só após a revolução agrícola (há cerca de 10.000 anos), através da domesticação dos animais, é que o consumo de lacticínios se tornou possível. O leite é, assim, um alimento relativamente recente na alimentação do ser humano (cujo genoma não sofreu alterações significativas nos últimos 10.000 anos), o que explica porque é que cerca de 70% da população adulta mundial apresenta intolerância à lactose (dificuldade/impossibilidade de digerir o açúcar do leite, que causa diversos efeitos adversos de ordem gastrointestinal - como flatulência, diarreia, dor e desconforto abdominais).

leite e saúde

EFEITOS DO LEITE NA SAÚDE

Lacticínios, como leite, iogurte e queijo fresco, apesar de possuírem um índice Glicémico (lG) baixo (não provocam um aumento pronunciado da glicemia), aumentam muito a libertação de insulina pelo pâncreas, o que, a longo prazo, pode causar resistência à insulinal, que está na origem de várias patologias/ problemas de saúde e/ou fenómenos fisiológicos, como síndrome metabólica (inclui diabetes tipo 2, hipertensão, dislipidemia, obesidade abdominal e estado pró-trombótico), síndrome do ovário poliquístico, alguns cancros.(próstata, mama e cólon), miopia, acne (foi associado em dois estudos epidemiológicos ao consumo de lacticínios), aumento da estatura (diversos estudos mostram o papel dos lacticínios) e diminuição da idade da menarca/ puberdade.

AS DIFERENÇAS ENTRE LEITE MATERNO E BOVINO

É preciso realçar o que os nutricionistas e pediatras há muito sabem: as características nutricionais do leite materno e do leite bovino são diferentes e a amamentação deve ser mantida até que a criança tenha, pelo menos, um ano (em sociedades de caçadores recolectores, a amamentação varia entre dois a quatro anos).

AS CULPAS DA BETA-CELULlNA, UM COMPOSTO DO LEITE

Existem estudos epidemiológicos e experimentais a associar o consumo de lacticínios a alguns cancros (a evidência é mais forte para ovários2, testículos3 e próstata4), à doença de Parkinson e à ateroesclerose. Os motivos podem estar relacionados com o fenómeno da insulina atrás descrito e com alguns componentes do leite, designadamente a galactose, o cálcio e a beta-celulina (BTC), que foi descoberta recentemente. A BTC é um factor de crescimento presente em todos os leites, que sobrevive à pasteurização, processamento (sendo também encontrada no queijo) e processo digestivo e tem a capacidade de entrar na circulação e ligar-se a um receptor (EGFR) que existe em diversas células epiteliais e aumentar a sinalização desse receptor, o que vai dar origem a uma série de fenómenos dentro das mesmas. No caso de diversos cancros (mama, cólon, próstata, ovários, pulmões, pâncreas, bexiga, estômago, cabeça e pescoço), sabese que há um aumento do número de EGFR e da sinalização dos mesmos e que existem já ensaios clínicos de fase 11 para fármacos que bloqueiam o receptor e a sua sinalização. Apesar de ainda não terem sido realizados estudos sobre leite, BTC e cancro em humanos, pensa-se conhecer o mecanismo e existem estudos epidemiológicos que ligam o consumo de lacticínios a alguns destes cancros (próstata, ovários, pulmões, estômag06 e pâncreas?).

LEITE E OSTEOPOROSE: MAGNÉSIO É UM MINERAL ESQUECIDO

Culturalmente, o leite é tido como um alimento perfeito, por conter proteínas de alto valor biológico e cálcio, que é defendido como a melhor arma contra a osteoporose, o que não é totalmente verdade. É importante esclarecer que o cálcio é apenas um dos nutrientes necessários para a prevenção da osteoporose. Se existir um desequilíbrio entre o cálcio e os outros nutrientes (por défice de ingestão dos mesmos e/ou excesso de ingestão de cálcio), pode até ocorrer desmineralização óssea. Um desses nutrientes é o magnésio, cuja deficiência (que pode ser causada por um consumo elevado de cálcio) pode causar diminuição da densidade mineral óssea e aumentar o risco de fracturas. O rácio cálcio/magnésio ideal varia entre 1/1 e 2/1, ao passo que o rácio cálcio/magnésio no leite e derivados é superior a 10/1.

DIETA DO PALEOLíTICO SEM LEITE

Se tal não basta para desmistificar a ligação entre leite, cálcio e osteoporose, olhemos para os registos fósseis, que indicam que os nossos antepassados do Paleolítico, apesar de não beberem leite após a amamentação, apresentavam uma densidade mineral óssea igualou superior à de actuais adultos saudáveis e activos, o que, provavelmente, se devia à exposição solar (que permite a síntese de vitamina D), ao trabalho físico regular e intenso (o exercício, em especial o treino de força, é essencial para manter a saúde óssea) e ao consumo elevado de vegetais.

SE NÃO BEBER LEITE, COMO POSSO OBTER CÁLCIO?

Ao contrário do que se pensa, é possível obter quantidades adequadas de cálcio sem recorrer aos lacticínios. Os vegetais, como os brócolos e couves, também contêm cálcio, e apresentam uma taxa de absorção deste mineral semelhante à dos lacticínios. Apesar de grama por grama, os lacticínios conterem mais cálcio que os vegetais indicados, estes contêm um rácio cálcio/magnésio entre 2/1 e 3/1, além de vitamina K (outro nutriente importante na manutenção da saúde óssea) e potássio (que é o principal precursor de bicarbonato”,que demonstrou em estudos de intervenção de curto e longo prazo diminuir a excreção de cálcio e melhorar o metabolismo ósseo). Além disso, um estudo epidemiológico de 12 anos realizado pela Universidade de Harvard com mais de 77 mil mulheres verificou que a ingestão de dois ou mais copos de leite por dia estava associado a maior incidência de fracturas nestas mulheres. Pelo contrário, o consumo elevado de vegetais, além de todos os benefícios já conhecidos pelo público, está associado a uma maior densidade mineral óssea e menor incidência de fracturas.

REACÇÓES ALÉRGICAS/DOENÇAS AUTO-IMUNES

Refira-se, também, que em pessoas geneticamente predispostas, algumas proteínas do leite bovino (e também ovino e caprino) podem causar reacções alérgicas e doenças auto-imunes (por exemplo diabetes tipo 1, esclerose múltipla, artrite reumatóide e doença de Crohn).

E QUEM NÃO VIVE SEM LEITE?

Com base nesta análise, não podemos considerar o leite de outra espécie um alimento adequado ao ser humano. No entanto, obviamente que indivíduos que não sofram de nenhuma das patologias associadas ao consumo de leite e derivados (nem tenham risco de as desenvolver) e sigam um estilo de vida saudável (exercício moderado regular e dieta e sono adequados) poderão consumir pequenas quantidades de lacticínios fermentados de agricultura biológica, desde que tal não produza reacções adversas.

Walter Willett da Harvard School of Public Health recomenda que não se exceda um copo de leite por dia. Do mesmo modo, atletas também poderão beneficiar da utilização (em especial após o treino) de um suplemento que contenha proteínas isoladas do soro de leite (extraídas por membrana de fluxo cruzado com valores de corte entre 3 e 30 kiloDaltons), se tal não causar efeitos indesejáveis.

Curiosidade sa Semana: Emagrecimentos de boas relações com a Diabetes

Publicado por admin na categoria Curiosidade da semana, Diabetes, Exercício Físico, Perder peso em 17-07-2009

Perder peso é o factor-chave para reduzir o risco de diabetes. Foi a conclusão do programa Diabetes Prevention, que avaliou a importância de perder peso na prevenção da diabetes. Ao reduzirem 7 por cento da sua massa gorda, num período de 3 anos, os participantes reduziram  também o risco de diabetes em 58 por cento. Durante o programa, os participantes diminuíram em 25 por cento a sua ingestão total de calorias, levando os investigadores a conjugar os factores mais importantes na prevenção da doença: perder peso, através do exercício e dieta.

A American Heart Association recomenda:

1. Fazer rastreios de hipertensão, pelo menos, de dois em dois anos, em adultos e mais frequentemente em populações de risco.

2. Não fumar e diminuir ao máximo a exposição ao fumo.

3. Em caso de diabetes e outros factores de risco, é necessário controlar rigorosamente os níveis de colesterol

4. Reduzir o consumo de sal (máximo 2,3g por dia) e aumentar o consumo de potássio (pelo menos 4,7g diárias). Seguir uma dieta rica em fruta e vegetais.

5. Reduzir o colesterol para níveis normais.

6. Perder peso e, consequentemente, diminuir a pressão sanguínea.

7. Fazer exercício físico moderado, pelo menos, 30 minutos por dia.

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